sábado, 7 de junho de 2014

COPA DO MUNDO, UM VENCEDOR.

Na próxima quinta feira, dia 12 de junho de 2014, inicia um dos campeonatos mais desejados, mais esperado em todo o mundo globalizado pelo futebol. Esta será a vigésima copa realizada pelo mundo a fora. Apesar de dezenas de seleções (países) participarem, temos somente 08 que se sagraram campeãs, são elas: Brasil (05), Argentina (02), Uruguai (02), Alemanha (03), Itália (04), França (01), Inglaterra (01) e Espanha (01). Nesta copa, aqui no Brasil, teremos 32 países concorrendo ao prêmio, mas um só, somente um levará o prêmio.
E que prêmio é este? “Nas antigas competições gregas, os vencedores recebiam coroas que geralmente eram feitas de folhas de árvores e enfeitadas com flores. Nos Jogos Pítios, os vencedores recebiam uma coroa de louros. Nos Jogos Olímpicos, as coroas eram de folhas de oliveira brava e, nos Jogos Ístmicos, recebiam coroas feitas de pinheiro. “Para estimular os competidores”, diz um erudito bíblico, “as coroas — o prêmio pela vitória — e folhas de palmeira, ficavam expostas durante a competição num pedestal ou numa mesa, dentro do estádio”. Para o vencedor, usar a coroa era um sinal de grande honra. Ao voltar para casa, ele entrava na cidade de maneira triunfal, num carro de guerra”. Neste caso especifico da copa, todos os 32 times (seleções) correm atrás da tão famosa Taça da Fifa, que mede 36,5 cm e é feita de 5 kg de ouro 18-quilates (75%) sólido, com uma base (13 cm de diâmetro) contendo duas camadas de malaquita. A taça, que pesa 6,17 kg, tem duas figuras humanas segurando o planeta Terra; e, de ter o nome de seu país escrito na parte de baixo da mesma.
Alcançar o prêmio, isto é o que todo aquele que disputa uma competição quer alcançar. Você e eu estamos também correndo, participando de uma competição. Na visão de Paulo estamos correndo atrás de um prêmio incorruptível (1 Co 9.24 e 25), e para isto necessitamos correr com perseverança a carreira que nos está proposta. (Hb 12.1). Não podemos achar que perdemos essa disputa para qualquer um dos inimigos que se levante contra nossas vidas, ou seja, a carne, ou mundo e o diabo. Esses coadjuvantes não tem o poder de nos tirar o prêmio. O máximo que eles conseguem é colocar obstáculos à nossa santidade e consagração, o que muito prejudica nossa caminhada na direção da vitória final. Não nos tira o prêmio final, mas tira e muito das qualidades exigidas para uma excelente competição. Queremos alcançar o prêmio com qualidade? Queremos o gol com excelência e com muitos dribles que empolguem os torcedores? Que os façam vibrar com alegria?
Estejamos certos de que fomos chamados para brilharmos os lauréis, a coroa, o prêmio que já obtivemos de uma vida vencedora em Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador. Os torcedores querem vibrar com a qualidade de vida eterna que recebemos NELE.
Rev. Abdiel.



A MENSAGEM VERDADEIRA DA PÁSCOA

A páscoa é uma festa judaica. Eles já comemoravam a festa da páscoa mesmo antes do nascimento de Jesus Cristo. A verdadeira Páscoa comemora a libertação dos israelitas da escravidão de Faraó na terra do Egito, mas não somente isto, a Páscoa prefigurava o sacrifício de Cristo em nosso favor. Libertação do mundo, simbolizado pelo Egito, especialmente no que diz respeito à escravidão do poderio do mundo sobre nossas vidas. Relembramos nesse tempo que Jesus nos libertou de tudo isso dando-nos um novo sentido na vida. Todo amargor, simbolizado pelas ervas amargas, foi transformado em uma vida doce e de suave liberdade ministrado pelo Espírito Santo de Deus. O cordeiro, antes imperfeito, e tendo a necessidade de repetição em todos os sacrifícios, agora perfeito em Jesus Cristo, o Cordeiro perfeito que nos trouxe a salvação.
“Egito, dia 14 de abibe, do ano em que os filhos de Israel foram livres da escravidão. Esse seria um dia decisivo. Dia de regozijo para alguns e desespero para outros. Naquela noite, o anjo da morte visitaria o Egito e mataria a todos os primogênitos, desde os animais ate o filho de Faraó. Esse seria o castigo de Deus contra o Egito. A terrível noite chegou e, com ela, o anjo destruidor. Por onde ele passava, deixava as famílias em agonia pela perda de seus filhos. Só escaparam da tragédia aquelas casas em cujas portas havia o sangue protetor. Essa foi primeira páscoa”.
A Páscoa é uma festa onde todos nós deveríamos celebrar com alegria e regozijo a Graça do Senhor Jesus. Há uma verdade que está acima dos ovos de chocolates ou até dos coelhinhos da páscoa: Cristo morreu, para que nossos pecados fossem perdoados, Ele se entregou como cordeiro mudo ao matadouro, para que eu e você pudéssemos ter a esperança de um dia viver com Ele eternamente. A páscoa tem o sentido de LIBERTAÇÃO, DE RESSURREIÇÃO E DE RENOVAÇÃO.  O maior motivo de comemoração para os cristãos é o dia em que seus pecados foram perdoados, o dia em que o homem foi comprado por um preço muito alto e esse preço foi a vida do próprio filho de Deus, que morreu para que muitos pudessem ter vida eterna através dEle. Ele morreu, mas também ressuscitou, e esse é o nosso maior motivo de orgulho.
Louvado seja Deus por tão grande libertação!



Rev. Abdiel.

COMO CRESCER ESPIRITUALMENTE

A Palavra de Deus direciona as nossas vidas. Que bom seria se nós lêssemos a Bíblia e reconhecêssemos de que ela é um manual fantástico, exato e preciso para nos orientar a fim de termos uma vida feliz e completa na presença de Deus. Em 1 Pedro 2:2 ela começa nos orientando que assim como comemos  e exercitamos o nosso corpo para crescermos, e ambos são necessários para o nosso crescimento, necessitamos alimentar o espírito, e isso exige estudo e meditação na palavra de Deus: "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação". (1 Pedro 2:2).
Gary Fisher afirma: Há várias coisas a serem lembradas sobre uma alimentação correta. 1. Alimentação deve acontecer regularmente. Geralmente após apenas algumas horas sem comer e a fome vem, e precisamos saciar com os alimentos. Nos alimentamos diariamente com as palavras de Deus? 2. Toda pessoa deveria ter uma alimentação equilibrada. Alimentando-se somente de cereais e de nenhum legume, não haverá bom crescimento do homem. Devemos estudar todas as partes da palavra de Deus. 3. É bom ficar atento aos aditivos; estes são muitas vezes prejudiciais à saúde. Paulo pregou as puras palavras de Deus sem as alterar (2 Coríntios 4:2). As observações feitas por vários homens nas Escrituras podem vir a ser de grande ajuda. Não devemos nos deixar ser levados pelos ensinamentos do homem e sim pelas palavras de Deus. O exercício é outro componente vital para o crescimento (Hebreus 5:12-14). O exercício em si envolve o uso da comida que ingerimos; espiritualmente, aplicamos os ensinamentos de Deus em nossas vidas.
Em tudo isto fica estabelecido que sem a palavra de Deus não há crescimento espiritual. Este crescimento se dará diariamente, regularmente, de forma equilibrada. Assim qualquer aditivo que vier à nossa vida para confrontar nossa estabilidade emocional, nosso crescimento espiritual, será vencido. O nosso objetivo no crescimento está manifestado em 2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”.
Que a nossa busca diária em alimentação da PALAVRA DE DEUS e vida de intimidade em oração seja nossos objetivo para o crescimento espiritual.

Rev. Abdiel.

O ALTAR DE DEUS EM MINHA VIDA

A meditação realizada na quarta feira passada pelo Presb. Avilmar nos desafiou a analisarmos o texto de Esdras capitulo 03 quando ele volta para Jerusalém com o propósito de construir o templo. Antes de qualquer coisa eles necessitavam reestabelecer o culto de adoração a Deus. De que adiantaria ter um templo se não tivesse adoradores? De que adiantaria ter adoradores se não tivesse o altar para apresentar o sacrifício.
E tudo isto se inicia na reformulação do altar de Deus em nossas vidas. É no altar que é apresentado o sacrifício aceitável por Deus. Todas as festas de Israel eram cercadas por uma celebração que duravam dias. E muitas delas tinham o foco de gratidão aos grandes feitos que Deus, o todo poderoso havia realizado na vida do povo. YHWH (Iavé) era o alvo da adoração. Sacrifícios eram apresentados no altar numa forma de expressar este culto. Tanto é assim que dentre tantos utensílios que Esdras recebe para a construção do Templo, ele deveria fazer uso da prata e ouro que receberia das mãos do “rei e dos seus conselheiros, que doaram espontaneamente para comprar novilhos, carneiros e os cordeiros e as suas ofertas de manjares, e as suas libações” (Ed 7.16) para serem oferecidos sobre o altar da casa de Deus.
Com isto fica evidenciada a necessidade de tomarmos um cuidado especial em nossas vidas com o altar, para que a nossa vida esteja preparada para ser nela expresso nosso culto de gratidão pelos grandiosos feitos por Deus a nós cotidianamente. O altar dever estar bem construído na presença de Deus. Se o altar da sua vida devocional, da santidade estiver destruído, reconstrua-o ainda hoje na presença do nosso Deus.
Isto tem que ser a nossa primeira atitude. Convoco-te e para buscarmos a excelência na presença de Deus! Que Deus nos ajude! Amém!

Rev. Abdiel.

DESPERTANDO PARA CRESCER

Uma das primeiras mensagens dos nossos boletins semanais em 2013 teve como tema: “O Nosso Alvo é Crescer”, relembrando do alvo que tínhamos para aquele, que nem perto chegamos. Era alto? Sim, mas não impossível. Faltou-nos foco, perseverança.
No inicio da mensagem foi assim transcrito. Quando falamos de crescimento de igreja temos dois extremos e os mesmos são perigos e prejudiciais. Em uma pastoral o Rev. Hernandes abordou esses dois extremos, os quais os destacamos agora: "de um lado temos a numerolatria. É a posição daqueles que buscam o crescimento da igreja a todo custo. Eles não estão preocupados com a verdade, mas com os resultados. Para esses, os fins justificam os meios. Para atrair as massas, vale tudo. Os protagonistas dessa filosofia torcem a Palavra, burlam as Escrituras, agridem a sã teologia, fazem promessas milagrosas em nome de Deus e enchem as pessoas de vãs esperanças. É claro que nem tudo que cresce é de Deus. O Senhor tem compromisso com a sua Palavra e a verdade não pode ser pisada nem sonegada ao povo, mesmo que a razão para isso seja a defesa do crescimento numérico da igreja. O outro extremo é a numerofobia. Esta é a posição daqueles que se escondem atrás das máscaras de seu fracasso, dizendo que Deus não está interessado em quantidade, mas tão somente em qualidade. Essa visão é doentia. Certamente não há qualidade sem resultados. Qualidade gera quantidade. Um corpo vivo cresce. Um ramo ligado à videira frutifica.
A igreja precisa experimentar um crescimento natural. Cada membro da igreja é um membro do corpo e tem sua função no corpo. “Cada ramo da videira precisa florescer e frutificar”. É lógico que desejamos um crescimento saudável para a nossa IP Memorial. Quando andamos com Deus, como Enoque andou, quando marcamos a história como Abel, Abraão, Noé e Sara; elencados em Hebreus 11, Deus nos usa para levarmos o evangelho através do testemunho de nossas vidas, e, almas são alcançadas, a igreja cresce em numero e graça, porque o Espírito de Deus está no controle e condução de toda essa história. O nosso Deus vai acrescentando dia a dia os que necessitam de salvação, como em Atos 2.47. Se plantarmos e regarmos, Deus dará o crescimento. Precisamos ser uma igreja que ora, que vive a cruz de Cristo dia a da em santidade e compromisso de consagração. Precisamos viver a unidade da fé, abandonar o descuido da frieza espiritual para bem distante de nós, e sermos uma igreja comprometida com os trabalhos que ela tem executado. Há lugar para você, há um cargo ou função especifica que somente você pode exercer.
Convoco-te e para buscarmos a excelência na presença de Deus!
Que Deus nos ajude! Amém!
Rev. Abdiel.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DOMINGO DA IGREJA PERSEGUIDA

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A Igreja Presbiteriana Memorial em Vila Velha - ES está envolvida neste ministério de intercessão pelos cristãos perseguidos. Junte-se a nós!

sábado, 4 de abril de 2009

A Importância do Estudo dos Pais da Igreja: Conceitos Introdutórios

A Importância do Estudo dos Pais da Igreja: Conceitos Introdutórios
(André Benoit, A Atualidade dos Pais da Igreja)
1. O apelo aos pais na história da igreja - (a) Na igreja primitiva - No século II, o nome “Pai” era concedido aos bispos em geral. Este titulo quando se encontra no plural demonstra ser aquelas autoridade peculiar em matéria de doutrina. Como Basílio pondera os resultados do que eles elaboravam através de reflexões, não eram deles, mas sim dos Pais da Igreja, especialmente nas controvérsias. O termo também é aplicado a outros bispos, que mesmo sendo em separado, eles são testemunhas reconhecidas em assuntos de doutrina. Vicente de Lérins define os pais como sendo aqueles a quem deveriam recorrer sobre questões novas, mostrando a importância deles na teologia da igreja. Um decreto atribuído ao papa Gelásio (início do séc. 6°) contém a primeira relação dos autores cristãos obrigatoriamente reconhecidos como Pais (De libris recipiendis et non recipiendis) e os que não eram. E justamente aí que se revelou o duplo estágio que se dedica ao pais (patrística); o primeiro diz respeito ao aspecto doutrinária e, em segundo estágio a história, chamado por Jerônimo depois de patrologia. (b) Na Idade Média – Neste período não temos nenhuma inovação, a idade média se limitou a usar o que já havia se estabelecido na Igreja antiga. Até o século 12 os doutores da Igreja antiga ainda eram citados constantemente. No século 14 passaram a usar livros contendo trechos escolhido dos Pais, chegando a utilizá-las de forma mecânica. A tradição Patrológica perpetuou, publicou-se livros sobre os Pais que na verdade era a repetição da obra de Jerônimo e de outros e isto não foi feito em grande coleções, o que aconteceu mais tarde. (c) Humanismo e Reforma - No século 16, o estudo dos Pais tomou novo impulso graças às influências combinadas do Humanismo e da Reforma. Com o Humanismo, surgiu a redescoberta da antigüidade clássica como fonte de toda cultura. Os estudos patrísticos beneficiaram-se desse interesse, já que os Pais também eram parte da antigüidade. Erasmo de Roterdã e os humanistas suscitaram toda uma onda de interesse pelos Pais, e estes foram publicados extensamente. A perspectiva dos humanistas era essencialmente histórica, o que levou ao crescimento da patrologia. A reforma por sua vez enfatizou os estudos patrísticos no plano teológico, e, no final do século 16 surgiu a necessidade de reunir coleções completas as obras dos diferentes Pais, de onde surge a biblioteca Bibliotheca Sanetorum Patrum (Paris, 8 vols., 1575). Os reformadores usaram um critério muito simples para dar autoridade aos pais da igreja e à história. Para eles, tanto a história da Igreja como os Pais deviam ser estudados à luz do critério da Palavra de Deus. Lutero e Calvino tinham em alta estima a igreja antiga, atribuíram grande importância ao período patrístico. Lutero demonstrou interesse pequeno pelos Pais. Critica com facilidade os antigos doutores, e particularmente as suas exegeses, porém, tem em alta estima o testemunho que alguns deles deram acerca da fé. Todavia, Calvino foi mais longe. Atribuiu importância maior ao período patrístico, sem abrir mão da afirmação a autoridade da escritura, único juiz e critério da verdade. Apela contra a igreja de Roma através dos Pais. E vai mais longe ainda. Seu ideal era voltar à Igreja dos Pais, a qual, apesar de alguns erros, se havia mantido fiel à Palavra de Deus. Para demonstrar, por exemplo, que a Ceia do Senhor deve ser celebrada todos os domingos, Calvino, após recorrer à Escritura, cita cânones antigos, decretos conciliares e passagens extraídas de Agostinho, Crisóstomo e Ambrósio. (Institutas, 4.17.45). Calvino usou a mesma argumentação ao tratar de outros problemas. (d) Após a Reforma – Com a controvérsia iniciada no começo do século 16, isto levou os historiadores protestantes a estudá-los com maior seriedade, diversos escritores como Flácio Ilírico (1520-1575), na segunda metade do século, que consagrou trabalhos de peso aos doutores da Igreja antiga. O interesse atribuído a eles limitou-se essencialmente ao conhecimento do passado da Igreja.
Os católicos iniciaram um trabalho magnífico de edição e publicação de textos. Por ser o século 19 um período considerado o da história, isto favoreceu os estudos da Patrística. Foi a época das grandes edições.
2. Os Pais da Igreja - definição – Até o momento a expressão “Pais da Igreja” foi empregada no seu sentido lato: os Pais como grandes teólogos da Igreja antiga. Vejamos três definições: a) Catolicismo Romano – São vistos como autoridades teológicas proveniente do passado cristão e testemunhas autorizadas da tradição eclesiástica; b) Historiadores – “È a parte da história da literatura cristã que trata dos autores da Antiguidade que escreveram sobre temas de teologia... Tanto escritores ortodoxos como heterodoxos...”; c) Moderna – Interprete ou exegeta. Entre outro temos Irineu de Lião (+c.200) é certamente o primeiro a acentuar a prova pela Escritura, a Extensio exScripturis, destacando-se como o primeiro grande representante do biblicismo. Em Clemente de Alexandria vemos a mesma coisa. Orígenes colocou a Escritura no centro das suas preocupações, pois a maior parte da sua vastíssima obra foi consagrada ao seu esclarecimento, por meio de comentários (sobre quase todos os livros da Bíblia), ou à sua pregação, mediante homilias. Atanásio demonstra isto em sua polemica com os pagãos. Cirilo de Jerusalém afirma: “Se do que eu te digo não encontras prova nas Escrituras, não deves crê-lo pelo simples fato de te ser dito...”. Em João Crisóstomo temos: “Que necessidade tendes de mestres? Tendes a Palavra de Deus. Onde podereis encontrar melhor ensino? .. A fonte de todos os males é a ignorância das Escrituras Ignorá-las é como marchar sem armas para o combate” (Homilia in Cal., 9, 1). Agostinho escreve as seguintes palavras características: “Pois em todas as passagens da Escritura, disposto em forma clara, encontra-se todo o conteúdo da fé e da moral, assim como, também, da esperança e da caridade, a que nos referimos no livro precedente” (De doctrina christiana, 11, 14). Assim, os próprios Pais reconheceram a autoridade da Escritura como norma da verdade e da doutrina.
3. O interesse dos Pais – A exegese remonta aos Pais da Igreja. Eles foram, na história da Igreja, os primeiros exegetas da Escritura. Querendo ou não existe entre nós e a Escritura uma dimensão histórica. Eles são de algum modo os primeiros marcos que nos unem à Bíblia e assinalam a continuidade de sua interpretação no correr dos primeiros séculos. Nem os reformadores contestaram isto. Contudo, Benoit nos lembra que os Pais jamais conseguirão fornecer-nos soluções prontas e definitivas.
4. A atualidade dos Pais - (a) Patrística e exegese – Costuma-se criticar muito os Pais da Igreja porque eles falavam de forma alegórica, e os críticos entendem ser exageradas. Mas existem aspectos positivos. Entre nós e os autores neotestamentários existe um período de quase vinte séculos. Os Pais, ao contrário, estavam muito mais próximos deles no tempo e, portanto, mais habilitados a captar o espírito próprio da Escritura. A exegese feita pelos Pais permite-nos compreender como e por que temos a possibilidade de empreender uma exegese cristológica do Antigo Testamento. Os primeiros cristãos não dispunham ainda do Novo Testamento. Fatos muito bem expressos no livro teologia-histórica. Possuíam somente as Escrituras judaicas herdadas do povo de Israel, que constituíam a única autoridade escrita à sua disposição. Era natural, portanto, que interpretassem o Antigo Testamento à luz da revelação cristã e buscassem nesses livros as respostas à indagação: como o Cristo, cumprimento das promessas feitas a Israel, está já presente em cada uma de suas páginas? Para eles Jesus Cristo era a chave que abre o Antigo Testamento. Os Pais da igreja nos advertem desta verdade fundamental, que Cristo é o objetivo próprio da Escritura e que é Ele e Ele somente quem possibilita uma leitura fiel da escritura. (b) Patrística e dogmática – As decisões de concílios como de Nicéia e de Calcedônia têm em primeiro lugar, uma atualidade de caráter negativo. Ao rejeitar as heresias da espoca, elas nos mostram as falsas vias de reflexão pelas quais não deveriam penetrar o pensamento teológico. A importância das decisões dogmáticas dos Pais tem caráter positivo. Elas descerram e delimitam os grandes mistérios da fé, isto é, a Trindade e a Encarnação, e apontam os problemas essenciais da fé cristã. (c) Patrística e liturgia - Os Pais também viveram a sua fé no culto e nos sacramentos. A sua época foi de considerável formação litúrgica, que resultou nas grandes liturgias orientais e ocidentais. A liturgia sempre repleta do conteúdo bíblico. (d) Outras questões - Um tópico relevante no estudo da patrística é a maneira como a Igreja dos Pais relacionou-se com a cultura do seu tempo. Os Pais, sendo arautos do evangelho, tiveram de expressá-lo dentro dos quadros de referência da cultura helênica ou greco-romana. Para isso, apropriaram-se dos elementos utilizáveis dessa cultura e deixaram de lado o que não tinha valor. A igreja primitiva defrontou-se igualmente com os problemas das heresias em suas múltiplas manifestações. Nesse sentido buscar os Pais da Igreja conhecer suas reações face aos desvios da fé, pode ser de grande valia na busca de soluções.
No que diz respeito à interpretação bíblica, os pais da igreja tiveram dois métodos como prediletos: a) Exegese alegórica – Trata o texto sagrado como mero símbolo ou alegoria, de verdades espirituais; b) Exegese Tipológica – Técnica que visava evidenciar a correspondência entre os dois fundamentos, tendo como principio norteador a idéia de que os eventos e personagens eram “tipos”. Por fim temos as escolas de interpretações que se levantaram: a) Alexandria – Os teólogos alexandrinos que seguiram Clemente e Orígenes, desde Dionísio até Cirilo, foram em maior ou menor grau afetados por esse alegorismo; b) Antioquia – Essa escola estava unida na convicção de que a alegoria era um instrumento inseguro, na verdade ilegítimo para interpretar a Escritura.
CONCLUSÃO:
Fica mais uma vez evidenciado a importância do estudo dos Pais da Igreja. Exegese, é uma denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. Alegórica ou tipológica fica aqui o fato de que os Pais foram de fundamental importância combatendo as heresias da época, bem como preservando a teologia bíblica.

AUTOR - ABDIEL BIBIANO NEVES