sábado, 4 de abril de 2009

ANÁLISE DO LIVRO "O CONFORTO DO CONSERVADORISMO"

O CONFORTO DO CONSERVADORISMO
J. I. Packer
Parker explora neste capítulo 12 inserido no livro Religião de Poder, algo magnifico para o conhecimento da igreja. Ele trabalha aqui o que vem a ser o verdadeiro tradicionalismo. Quantos são os evangélicos que chamam a si mesmo de conservadores e não conhecem sequer o termo. O pensamento de Parker extrai com fidelidade o que seja o conservadorismo ou tradicionalismo.
Fica bem definido nesta introdução qual é o objetivo de J. I Packer. O objetivo deste capítulo é explorar formas pelas quais esse tipo de tradicionalismo (ou conservadorismo) pode apagar o Espírito Santo e causar paralisia e impotência na igreja. “Tradição e Tirania” é o título que eu teria proposto se me pedissem. Mas “Conforto do Conservadorismo” foi o título que me entregaram numa bandeja, e eu tiro o chapéu para a pessoa que o formulou; sua ambivalência de cara inescrutável capta mais efetivamente os elementos do problema.
Packer se sente desafiado a expor a coisa toda.
CONFORTO
Inicia então com a primeira palavra “conforto”, afirmando: (e isso não é uma piada). Dois tipos de conforto é apresentado por Paker neste capitulo. A palavra é tanto substantivo quanto verbo, O verbo, que é primário, vem do latim confortare, significando “tornar mais forte” no sentido de transmitir energia e decisão a alguém fim de que permaneça firme e mostre empreendimento sob pressão. A Bíblia geralmente traduz conforto com palavras que carregam o sentido de revigoração e renovação de forças. Podemos chamar esse tom de conforto cordial: é o tom número um.
Na linguagem comum de hoje, conforto sugere a idéia de prover apoio que deixe a pessoa descansada e fisicamente relaxada, ou expressa simpatia que alivia a aflição e faz que as pessoas se sintam mentalmente melhores. Esse tom podemos chamar de conforto de almofada: a curto e, em algumas vezes, longo lrazo também, ele irrita em vez de revigorar— esse é o tom dois.

CONSERVADORISMO
Agora, tome conservadorisno. Uma palavra relativamente moderna, com foco sociopolítico, conservadorismo também tem dois tons ou significados, cada um determinado pelo seu uso. O autor descreve também o tradicionalismo desta mesma forma, o conservadorismo criativo, e o conservadorismo carnal. O primeiro é inteligente, é arrojado, inovador e até revolucionário, é a decisão heróica de preservar algo visto na herança cultural como de real valor: agarrar-se a tal valor e defendê-lo haja o que houver, e chamar aos da comunidade que estão se desviando ou já se desviaram dele e podem na verdade, solapá-lo. Tal conservadorismo apela ao uso responsável da inteligência e dojulgamentõ crítico assim como à corageni de nadam; quando necessário, contra a maré cultural a fim de salvaguardar o que é certo e precioso. Esse tipo de conservadorismo — conservadorismo criativo, como me aventuro a chamar — talvez se prove ser a opção mais radical, realista, intel igente, ousada e estimulante que o mercado de idéias tem a oferecer.Mas mesmo assim, sempre tentando, se manter dentro dos princípios teológicos já experimentados no passado e expondo idéias com extremo cuidado.
O outro tipo de conservadorismo, entretanto, é cego, obstinado, uma aderência turrona ao que é velho e convencional só porque é velho e convenciona!, uma reação mental de ajoelhar-se expressando nada mais respeitável ou responsável do que o preconceito que se recusa a examinar. Jesus observou que ninguém, depois de beber vinho velho, deseja o novo, “porque diz: O vinho velho é excelente” (Lc 5.39). Ele estava expondo a psicologia desse tipo de conservadorismo, a saber, um desejo e de sentir-se bem sendo acalmado e massageado por um fluxo constante de coisas familiares. Esse é o conservadorismo tom dois: uma síndrome nostálgica que esconde a cabeça com respeito ao futuro e busca somente agarrar-se ao passado. Rotulo isso de “conservadorismo camal”,
Packer afirma que o primeiro é algumas vezes tomado pelo segundo, e o segundo algumas vezes engana a si mesmo pensando ser o primeiro.
O CONFORTO DO CONSERVADORISMO
Packer nos convida agora a refletir no seguinte par de fatos: (1) que esse irmobilismo no olhar para trás, quer exigido pelos líderes ou pela vontade dos próprios seguidores, ou ambos, pode em si mesma fazer que as pessoas se sintam bem, seguras e sábias; (2) que esses sentimentos podem de volta, dispor as pessoas a se juntar a fim de impor o mesmo irmobilismo sobre outros, na crença de que tal ação preste um verdadeiro serviço aos seus recipientes. Cita o exemplo de que o suicídio em massa, emJonestown, na década de 1970, foi produto de uma forma extremada desse tipo de conservadorismo religioso que ele acabou de descrever.
A NATUREZA DA TRADIÇÃO CRISTÃ
O conservadorismo criativo utiliza-se da tradição, não como autoridade final ou absoluta, mas como recurso importante colocado à nossa disposição pela providência de Deus, afim de nos ajudar a entender o que a Escritura está dizendo sobre quem é Deus, quem somos nós, o que é o mundo ao nosso redor, e o que fomos chamados para fazer aqui e agora.
Packer utiliza novamente o termo tradicionalismo dizendo o seguinte. É outra palavra de dois tons, como no próprio vocábulo tradição. Na igreja, como no mundo, existem boas e más tradições, como também existe uma tradição que é cega e cegadora e outra, que é sábia e esclarecedora, e precisámos saber discernir entre as duas. Os principais pontos desse relato são os seguintes:
A tradíção carateriza as comunidades Ninguém pode dizer-se livre de tradições. Na verdade, um modo certo de ser engolido pelo tradicionlismo é achar-se imune a ele. A maior ameaça do tradicionalismo nem sempre vem na forma de papas e cerimônias extrabiblicas; na igreja, como em outras comunidades, a tradição é melhor definida primeiramente como processo de passar adiante. Se você acha que os evangélicos estão imunes a isso, pense de novo. Desenvolvemos nosso próprio linguajar (“evangeliquês” como se diz), estilos musicais, livros e fitas favoritos e até mesmo criamos tradições especiais sobre a forma de transmitir a mensagem cristã. A questão não é se temos tradições mas se nossas tradições estão em conflito com o único padrão absoluto nessas questões: as Escrituras Sagradas.
As tradições se iniciaram como atos Contemporâneos O que hoje é tradição nas igrejas começou com atos contemporaneos de exegese, exposição e aplicação das verdades bíblica, e deve ser entendido como tal. A tradição deve ser vista como a igreja de ontem dando à igreja de hoje uma direção em questões de fé e comportamento, direção oferecida como sendo sábia e baseada na Bíblia. Dentro dessa abordagem, e com base na percepção comum de que tanto o Espírito de Deus como também o pecado humano estão Sempre trabalhando dentro da igreja, espera-se que as tradições cristãs sejam parcialmente certas e parcialmente erradas. Porém, surgem diferenças específicas com respeito à autoridade dessas tradições.
As igrejas Católica Romana e Ortodoxa, por um lado, dizem que certas partes da tradição geral são guias infalíveis de fé e vida. O Protestantismo tradicional, por outro lado, conquanto afirme a infalibilidade da Escritura como palavra inerrante de Deus para nossa instrução, nega que qualquer parte da tradição de exposição bíblica da igreja seja infalível. Aqui, o princípio é o de que a Escritura infalível, e não a supostamente infalível tradição, interpreta a Escritura infalivel.
O autor Paker também afirma que os cristãos se beneficiam e são vítimas da tradição. Todos os cristãos são ao mesmo tempo beneficiados e vítimas da tradição — beneficiados pela recepção de verdades edificantes e sabedoria da fidelidade de Deus vistas nas gerações passadas; vítimas que agora consideram comuns coisas que precisam ser questionadas, tratando como absolutos divinos modelos de crença e costumes que deveriam ser vistos como meramente humanos, provisórios e relativos. Assim, o apóstolo Paulo aconselha: “Provai todas as coisas. Retende o que é bom” (1 Ts 5.21).
O que temos de fazer é reconhecer que somos, muito mais do que reconhecemos, frágeis filhos da tradição, boa ou má, e precisamos aprender a questionar, à luz das Escrituras, aquilo que até aqui aceitamos sem perguntas. Examinar todas as coisas pela Escritura, enquanto retemos o que é bom, conforme Paulo ordenou, é de fato o trabalho da vida e hábito vital que devemos seguir.
O lema da Reforma, ecclesia refomata semper reformando (igreja reformada sempre reformando) expressa a consciência desse fato. Assim como a batalha contínua da igreja por inaliter a verdade de Deus envolve metodologia e ideologia, ela envolve também uma luta de tradições em guerra, e jamais acaba deste lado do céu.
OS BENEFÍCIOS DA TRADIÇÃO CRISTÃ
Uma resposta completa a tal negativismo não pode ser feita aqui, mas vale a pena especificar, embora brevemente, quatro benefícios que o conhecimento da tradição podem proporcionar.
Raízes. Primeiro, ao conhecer a tradição o cristão descobre suas raízes. Obtemos visão, inspiração e a satisfação de identidade ao descobrir as origens e apreciar a família da qual vienis. O efeito é semelhante quando se sabe algo dos alvos e das realizações que distinguem a família de Deus sobre a terra por quase dois milênios.
Realismo. Segundo. ao se conhecer a tradição o cristão obtém um senso de realidade. Conhecimento do passado oferece uma vantagem para a avaliação do presente e liberta a pessoa de um aprisionamento, de outra fomia inexpugnável, à cultura e mentalidade de nossa própria era.
Recursos. Terceiro, ao conhecer a tradição o crente adquire recursos. Anda com os gigantes e ganha mais profunda sabedoria do passado do que nossos dias atuais podem oferecer. Nenhuma época demonstra insight igual para com todas as verdades espirituais e todas as facetas da santidade, mas quem examina a tradição encontra aberta diante de si a sabedoria de todas as épocas.
Lembretes. Quatro, ao conhecer a tradição, o cristão recebe lembretes históricos. No Antigo Testamento Deus muitas vezes diagnostica os fracasso de seu povoem viver conforme o compromisso da aliança, como devido ao esquecimento da bondade e severidade de seus atos no passado, e lembretes semelhantes muitas vezes são necessários na comunidade cristã.
O ABUSO DA TRADIÇÃO CRISTÃ
Packer afirma que temos aqui um diagnóstico do que parece estar errado. É propositadamente colocado em termos formais e estruturais ao invés de específicos e pessoais. Meu interesse é no tamanho e formato da carapuça, e não em quem ela cabe ou se alguém a está usando no momento. Deixo com os leitores que julguem por si mesmos se o conservadorismo carnal está crescendo nos seus próprios quintais; afinal de contas, essa é sua preocupação, não minha.
Num nível mais profundo, existe a mentalidade da palavra mágica, que insiste que verdades reveladas só podem ser afirmadas através de vocábulos específicos. Lógicos e teólogos sabem que não existe uma única fórmula para expressar determinada verdade, desde que se entenda o que se diz. Isso pode ser ótimo em seu lugar, mas permanece o fato de que qualquer coisa que for compreendida pode ser expressa em mais do que uma forma, e se você não consegue exprimir sem usar uma determinada palavra ou fórmula, é prova que realmente não entende o conceito. Nas discussões recentes sobre inerrância da Biblia, por exemplo, parece que algumas pessoas não entendiam que inerrância possa ser afirmada sem que se empregue a palavra mágica para isso, e que outros que criam na plena verdade e confiabilidade da Escritura talvez escolham evitar a palavra por suas associações infelizes. Não havia dúvida de qual grupo entendia melhor o que é inerrância! A mentalidade de palavras mágicas chavões é sintoma do conservadorismo carnal, assim como a rejeição de cara de èstilo culturais e coniportadflebtais em transição entre o povo cristão.
O conservadorismno carnal pode surgir e surge logo que um grupo Cristão começa a valorizar alguma coisa em sua tradição como o ideal de Deus, tratando sua própria visão aquilo como essencial para o testemunho e fidelidade ao Senhor. Podemos entender, sabendo como certos padrões determinados de vida na igreja dão um senso de estabilidade às pessoas mais antigas, que sentem que nosso mundo em rápidas mudanças os está deixando para trás. Ao mesmo tempo, devemos nos entristecer que eles procurem sua segurança nas estruturas imutáveis da igreja em vez de no relacionamento imutável com Deus através de Cristo.
Já começamos a ver que o conservadorismo carnal é uma misturança confusa. Há uma indisposição de ver removidos os marcos de nosso terreno, medo de perder algo valioso, lealdade confusa mas profundamente sentida para com rotinas não questionadas vistas como benéficas. O conservadorismo carnal é uma espécie irreligiosa de piedade por demais difundida, e é extremamente debilitador.
Devemos notar que, para os líderes, o contexto de conservadorismo carnal cria tentações especiais, pois dá-lhes um papel de tradicionalista que coloca em suas mãos grande poder. Sabemos que pastores, como um corpo, amam o poder, e sabemos como o desejo de controle total entra nas decisões dos que não são pastores a fim de formar seus próprios “ministérios” independentes, nos quais não precisam responder a nenhuma autoridade. As possibilidades de abuso de poder quando nos encontramos assim, no pináculo do venerado, são enormes, e não devemos nos surpreender quando ouvimos dizer de tradicionalistas dessa espécie, que se vêem como acima da lei e dos outros seres morais.
O CONSERVADORISMO CRIATIVO E A TRADIÇÃO CRISTÃ
Packer agora parte para aprsentar o outro lado, ele afirma: É um alívio sair do diagnóstico para a cura, e isso eu faço com imenso prazer. A cura para o conservadorismno carnal é o conservadorismo criativo. O conservadorismo criativo utiliza-se da tradição, não como autoridade final ou absoluta, mas como recurso importante colocado à nossa disposição pela providência de Deus, a fim de nos ajudar a entender o que a Escritura está nos dizendo sobre quem é Deus, quem somos nós, o que é o mundo ao nosso redor, e o que fomos chamados para fazer aqui e agora. A maioria das igrejas evangélicas atuais necessita com urgência de educação nessa herança, tendo como base que a consciência é cativa da Palavra de Deus. Só podemos esperar que se torne questão de suma importância na próxima geração.
O que a busca do conservadorismo criativo requer de nós? Pelo menos três coisas. A primeira é honestidade na auto-crítica. Dizem que Sócrates declarou que a vida não examinada não vale a pena viver, e isso se aplica tanto à vida mental como à vida moral, para cristãos tanto quanto para não crentes. A segunda coisa que se requer é humildade no juízo particular. Muitas vezes pessoas julgam erroneamente que a Refoma tenha ensinado o direito de juízo particular da Escritura em termos do crente poder discordar da igreja, da Bíblia ou de qualquer autoridade externa, se o coração o mover a isso. Na verdade, os reformadores ensinaram o dever do julgamento particular, no sentido que nenhum adulto pode tomar sua fé de segunda mão, mas deverá se submeter à disciplina do exame das Escrituras pala verificar se as coisas são mesmo como se afirmam. O terceiro requisito é integridade na ação moral. O padrão de integridade cristã é a Bíblia, não o que a sabedoria humana legisla. Os evangélicos frequentemente são advertidos contra a pressão do mundo incrédulo, mas existe o perigo mais sutil de uma espécie negativa de pressão dos pares cristãos, conhecido por nós e por muitos que deixaram suas raízes evangélicas, como “legalismo”.
Para que as igrejas saiam do conforto falso do conservadorismo carnal no qual tantos evangélicos estão atualmente presos, para a força verdadeira do conservadorismo criativo, seria necessário uma verdadeira renovação da fé reformada, berço do cristianismo evangélico. Se vemos tal renovação, as declarações espúrias de poder serão vistas como realmente são, e a Palavra de Deus governará para a glória do Deus cuja palavra ela é.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”(Ap 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 3,22).
Conclusão:
Ao fazer o resumo deste capítulo “O Conforto do Conservadorismo” fica bem claro que existem dois tipos de conforto cordiais no qual a Escritura traduz o conforto com palavras, com o objetivo de fortalecer, revigorar. E o segundo conforto, o conforto almofada, que faz com que as pessoas se sintam melhores, porém ele enfraquece e irrita em fez de fortalecer. O autor descreve também o tradicionalismo desta mesma forma, o conservadorismo criativo, e o conservadorismo carnal. O primeiro é inteligente, é a decisão heróica de preservara alguma coisa, inovador e até estimulante e o segundo é cego, obstinado, mesmice, irracional e busca somente agarrar-se ao passado. O primeiro é digno de honra e o segundo é patético.
A falsa compreensão do que é tradicional leva o crente a acomodar na fé cristã, cair no erro e entender como ensino bíblico como tarefa dele defender a fé que uma vez ele compreende como verdade absoluta
Como Packer observou para que as igrejas saiam do conforto falso do conservadorismo carnal no qual tantos evangélicos estão atualmente presos, para a força verdadeira do conservadorismo criativo, precisamos aplicar o ensino bíblico: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

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