sábado, 4 de abril de 2009

A Importância do Estudo dos Pais da Igreja: Conceitos Introdutórios

A Importância do Estudo dos Pais da Igreja: Conceitos Introdutórios
(André Benoit, A Atualidade dos Pais da Igreja)
1. O apelo aos pais na história da igreja - (a) Na igreja primitiva - No século II, o nome “Pai” era concedido aos bispos em geral. Este titulo quando se encontra no plural demonstra ser aquelas autoridade peculiar em matéria de doutrina. Como Basílio pondera os resultados do que eles elaboravam através de reflexões, não eram deles, mas sim dos Pais da Igreja, especialmente nas controvérsias. O termo também é aplicado a outros bispos, que mesmo sendo em separado, eles são testemunhas reconhecidas em assuntos de doutrina. Vicente de Lérins define os pais como sendo aqueles a quem deveriam recorrer sobre questões novas, mostrando a importância deles na teologia da igreja. Um decreto atribuído ao papa Gelásio (início do séc. 6°) contém a primeira relação dos autores cristãos obrigatoriamente reconhecidos como Pais (De libris recipiendis et non recipiendis) e os que não eram. E justamente aí que se revelou o duplo estágio que se dedica ao pais (patrística); o primeiro diz respeito ao aspecto doutrinária e, em segundo estágio a história, chamado por Jerônimo depois de patrologia. (b) Na Idade Média – Neste período não temos nenhuma inovação, a idade média se limitou a usar o que já havia se estabelecido na Igreja antiga. Até o século 12 os doutores da Igreja antiga ainda eram citados constantemente. No século 14 passaram a usar livros contendo trechos escolhido dos Pais, chegando a utilizá-las de forma mecânica. A tradição Patrológica perpetuou, publicou-se livros sobre os Pais que na verdade era a repetição da obra de Jerônimo e de outros e isto não foi feito em grande coleções, o que aconteceu mais tarde. (c) Humanismo e Reforma - No século 16, o estudo dos Pais tomou novo impulso graças às influências combinadas do Humanismo e da Reforma. Com o Humanismo, surgiu a redescoberta da antigüidade clássica como fonte de toda cultura. Os estudos patrísticos beneficiaram-se desse interesse, já que os Pais também eram parte da antigüidade. Erasmo de Roterdã e os humanistas suscitaram toda uma onda de interesse pelos Pais, e estes foram publicados extensamente. A perspectiva dos humanistas era essencialmente histórica, o que levou ao crescimento da patrologia. A reforma por sua vez enfatizou os estudos patrísticos no plano teológico, e, no final do século 16 surgiu a necessidade de reunir coleções completas as obras dos diferentes Pais, de onde surge a biblioteca Bibliotheca Sanetorum Patrum (Paris, 8 vols., 1575). Os reformadores usaram um critério muito simples para dar autoridade aos pais da igreja e à história. Para eles, tanto a história da Igreja como os Pais deviam ser estudados à luz do critério da Palavra de Deus. Lutero e Calvino tinham em alta estima a igreja antiga, atribuíram grande importância ao período patrístico. Lutero demonstrou interesse pequeno pelos Pais. Critica com facilidade os antigos doutores, e particularmente as suas exegeses, porém, tem em alta estima o testemunho que alguns deles deram acerca da fé. Todavia, Calvino foi mais longe. Atribuiu importância maior ao período patrístico, sem abrir mão da afirmação a autoridade da escritura, único juiz e critério da verdade. Apela contra a igreja de Roma através dos Pais. E vai mais longe ainda. Seu ideal era voltar à Igreja dos Pais, a qual, apesar de alguns erros, se havia mantido fiel à Palavra de Deus. Para demonstrar, por exemplo, que a Ceia do Senhor deve ser celebrada todos os domingos, Calvino, após recorrer à Escritura, cita cânones antigos, decretos conciliares e passagens extraídas de Agostinho, Crisóstomo e Ambrósio. (Institutas, 4.17.45). Calvino usou a mesma argumentação ao tratar de outros problemas. (d) Após a Reforma – Com a controvérsia iniciada no começo do século 16, isto levou os historiadores protestantes a estudá-los com maior seriedade, diversos escritores como Flácio Ilírico (1520-1575), na segunda metade do século, que consagrou trabalhos de peso aos doutores da Igreja antiga. O interesse atribuído a eles limitou-se essencialmente ao conhecimento do passado da Igreja.
Os católicos iniciaram um trabalho magnífico de edição e publicação de textos. Por ser o século 19 um período considerado o da história, isto favoreceu os estudos da Patrística. Foi a época das grandes edições.
2. Os Pais da Igreja - definição – Até o momento a expressão “Pais da Igreja” foi empregada no seu sentido lato: os Pais como grandes teólogos da Igreja antiga. Vejamos três definições: a) Catolicismo Romano – São vistos como autoridades teológicas proveniente do passado cristão e testemunhas autorizadas da tradição eclesiástica; b) Historiadores – “È a parte da história da literatura cristã que trata dos autores da Antiguidade que escreveram sobre temas de teologia... Tanto escritores ortodoxos como heterodoxos...”; c) Moderna – Interprete ou exegeta. Entre outro temos Irineu de Lião (+c.200) é certamente o primeiro a acentuar a prova pela Escritura, a Extensio exScripturis, destacando-se como o primeiro grande representante do biblicismo. Em Clemente de Alexandria vemos a mesma coisa. Orígenes colocou a Escritura no centro das suas preocupações, pois a maior parte da sua vastíssima obra foi consagrada ao seu esclarecimento, por meio de comentários (sobre quase todos os livros da Bíblia), ou à sua pregação, mediante homilias. Atanásio demonstra isto em sua polemica com os pagãos. Cirilo de Jerusalém afirma: “Se do que eu te digo não encontras prova nas Escrituras, não deves crê-lo pelo simples fato de te ser dito...”. Em João Crisóstomo temos: “Que necessidade tendes de mestres? Tendes a Palavra de Deus. Onde podereis encontrar melhor ensino? .. A fonte de todos os males é a ignorância das Escrituras Ignorá-las é como marchar sem armas para o combate” (Homilia in Cal., 9, 1). Agostinho escreve as seguintes palavras características: “Pois em todas as passagens da Escritura, disposto em forma clara, encontra-se todo o conteúdo da fé e da moral, assim como, também, da esperança e da caridade, a que nos referimos no livro precedente” (De doctrina christiana, 11, 14). Assim, os próprios Pais reconheceram a autoridade da Escritura como norma da verdade e da doutrina.
3. O interesse dos Pais – A exegese remonta aos Pais da Igreja. Eles foram, na história da Igreja, os primeiros exegetas da Escritura. Querendo ou não existe entre nós e a Escritura uma dimensão histórica. Eles são de algum modo os primeiros marcos que nos unem à Bíblia e assinalam a continuidade de sua interpretação no correr dos primeiros séculos. Nem os reformadores contestaram isto. Contudo, Benoit nos lembra que os Pais jamais conseguirão fornecer-nos soluções prontas e definitivas.
4. A atualidade dos Pais - (a) Patrística e exegese – Costuma-se criticar muito os Pais da Igreja porque eles falavam de forma alegórica, e os críticos entendem ser exageradas. Mas existem aspectos positivos. Entre nós e os autores neotestamentários existe um período de quase vinte séculos. Os Pais, ao contrário, estavam muito mais próximos deles no tempo e, portanto, mais habilitados a captar o espírito próprio da Escritura. A exegese feita pelos Pais permite-nos compreender como e por que temos a possibilidade de empreender uma exegese cristológica do Antigo Testamento. Os primeiros cristãos não dispunham ainda do Novo Testamento. Fatos muito bem expressos no livro teologia-histórica. Possuíam somente as Escrituras judaicas herdadas do povo de Israel, que constituíam a única autoridade escrita à sua disposição. Era natural, portanto, que interpretassem o Antigo Testamento à luz da revelação cristã e buscassem nesses livros as respostas à indagação: como o Cristo, cumprimento das promessas feitas a Israel, está já presente em cada uma de suas páginas? Para eles Jesus Cristo era a chave que abre o Antigo Testamento. Os Pais da igreja nos advertem desta verdade fundamental, que Cristo é o objetivo próprio da Escritura e que é Ele e Ele somente quem possibilita uma leitura fiel da escritura. (b) Patrística e dogmática – As decisões de concílios como de Nicéia e de Calcedônia têm em primeiro lugar, uma atualidade de caráter negativo. Ao rejeitar as heresias da espoca, elas nos mostram as falsas vias de reflexão pelas quais não deveriam penetrar o pensamento teológico. A importância das decisões dogmáticas dos Pais tem caráter positivo. Elas descerram e delimitam os grandes mistérios da fé, isto é, a Trindade e a Encarnação, e apontam os problemas essenciais da fé cristã. (c) Patrística e liturgia - Os Pais também viveram a sua fé no culto e nos sacramentos. A sua época foi de considerável formação litúrgica, que resultou nas grandes liturgias orientais e ocidentais. A liturgia sempre repleta do conteúdo bíblico. (d) Outras questões - Um tópico relevante no estudo da patrística é a maneira como a Igreja dos Pais relacionou-se com a cultura do seu tempo. Os Pais, sendo arautos do evangelho, tiveram de expressá-lo dentro dos quadros de referência da cultura helênica ou greco-romana. Para isso, apropriaram-se dos elementos utilizáveis dessa cultura e deixaram de lado o que não tinha valor. A igreja primitiva defrontou-se igualmente com os problemas das heresias em suas múltiplas manifestações. Nesse sentido buscar os Pais da Igreja conhecer suas reações face aos desvios da fé, pode ser de grande valia na busca de soluções.
No que diz respeito à interpretação bíblica, os pais da igreja tiveram dois métodos como prediletos: a) Exegese alegórica – Trata o texto sagrado como mero símbolo ou alegoria, de verdades espirituais; b) Exegese Tipológica – Técnica que visava evidenciar a correspondência entre os dois fundamentos, tendo como principio norteador a idéia de que os eventos e personagens eram “tipos”. Por fim temos as escolas de interpretações que se levantaram: a) Alexandria – Os teólogos alexandrinos que seguiram Clemente e Orígenes, desde Dionísio até Cirilo, foram em maior ou menor grau afetados por esse alegorismo; b) Antioquia – Essa escola estava unida na convicção de que a alegoria era um instrumento inseguro, na verdade ilegítimo para interpretar a Escritura.
CONCLUSÃO:
Fica mais uma vez evidenciado a importância do estudo dos Pais da Igreja. Exegese, é uma denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. Alegórica ou tipológica fica aqui o fato de que os Pais foram de fundamental importância combatendo as heresias da época, bem como preservando a teologia bíblica.

AUTOR - ABDIEL BIBIANO NEVES

6 comentários:

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    Josiel Dias
    Cons.Missionário
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    Rio de Janeiro

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  6. Paz,

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