sábado, 4 de abril de 2009

Avaliação da leitura do livro “Hermenêutica Bíblica”, de J. Severino Croatto

HERMENÊUTICA BIBLICA
Avaliação da leitura do livro “Hermenêutica Bíblica”, de J. Severino Croatto

1. Qual a linha hermenêutica seguida por Croatto?
R. Evidencia-se na leitura do texto de Croatto, da “teologia da Libertação (p. 3) e no livro “A Bíblia e Seus Interpretes” que a linha hermenêutica seguida por Croatto é a do método histórico – critico. “Numa postura típica de teólogos liberacionistas, Croatto adere ainda a um conceito de cânon onde a inspiração é entendida como um fenômeno textual apenas, resultado da tentativa da igreja cristã de “fechar” o sentido e, o conceito de revelação é reinterpretado para significar toda manifestação de Deus na história”. Croatto fecha com a posição de que a bíblia na medida em que é lida, é reinterpretada, redescobrindo o horizonte histórico e cultural no qual a Bíblia se originou. Ele afirma ainda que o fenômeno da revelação e sua interpretação é um ciclo que se repete na história da igreja. Partindo assim das necessidades sócias - econômicas do mundo em que os leitores vivem (Nicodemus, 2007, p. 231) ele deixa claro em seu texto a necessidade da exegese histórico – gramatical ceder lugar à “eisegese”, buscando assim uma releitura da Bíblia.
2. O que Croatto quer dizer por “autonomia do texto”?
R. Conforme Croatto, o texto se desprende do seu autor. A leitura afirma Croatto “é produção de um discurso e, portanto, de um sentido a partir do texto. Não se lê um sentido, mas sim um texto”. Desta forma o que o autor quis dizer não importa, pois falou em uma outra ocasião, tem que se ver o que o texto pode dizer. Croatto afirma: “Todo texto está aberto a muitas leituras, nenhuma das quais é repetição da outra. Quanto maior a distância em relação ao autor, tanto maior dimensão adquire a releitura de um texto. Inversamente, quanto maior é a riqueza semântica de um relato, mais distante está o autor da mente do intérprete”. A hermeneutica de Croatto entende por autonomia de texto uma leitura aberta, sem estar preocupado com o seu contexto histórico, garamático e cultural. Todo texto está aberto a muitas leituras (Croatto, p. 13)
3. O que Croatto quer dizer por “cada leitura é uma produção de sentido”?
R. Croatto está trabalhando com a mesma idéia da resposta da pergunta anterior, no sentido de que cada texto tem um sentido diferente em épocas diferentes. Ele afirma: ” Um mesmo texto pode ter uma leitura fenomenológica, histórica, sociológica, psicológica, literária, teológica e outras mais. Cada uma das leituras do mesmo relato é uma produção de um discurso a partir desse texto.”[...]” Por sua vez, as leituras feitas a partir daqueles níveis não são exclusivas de um intérprete que descobre o sentido. Cada leitura é uma produção de sentido”.
Conclui-se pela postura adotada por Croatto que o texto biblico tem vários sentidos, dependendo de quem o lê e o entende.
4. O que Croatto quer dizer por “reserva de sentido» do texto?
R. Para Croatto, como já visto, para cada texto existe variedades inesgotaveis de sentidos, conforme a necessidade. Portanto, para ele a interpretação é um processo que explora a reserva de sentido do texto. Tendo divergências em um mesmo texto, o que é normal, existe também uma forma de convergência. Croatto diz: “Por outro lado, a “apropriação” do sentido pretensiosa pela totalidade como é, nunca o é na realidade. Se há muitas interpretações de um mesmo texto, todas partem do mesmo texto, e então deve haver alguma forma de convergência.”. Nisto então, fica estabelecido que qualquer interpretação dada ao texto é uma reserva de sentido. “toda leitura de um texto é uma produção de sentido em códigos novos que, por sua vez, geram outras leituras como produção de sentido e assim sucessivamente. A interpretação é um processo em cadeia, não repetitivo, mas ascendente. Há uma reserva-de-sentido sempre explorada e nunca esgotada.”
5. O que Croatto quer dizer por clausura e polissemia no “processo hermenêutico”?
R. Para Croatto a clausura de sentido é o fechamento do texto. Os que são são adeptos, e receonhece que á a maioria, ele os chama de enclausuradores. Para ele A polissemia é diversidade de sentido que um texto ou palavra pode oferecer ao leitor. Croatto questiona e afirma: “Que quer dizer isto? Se o acontecimento com que começamos a construir a cadeia é polissêmico, a “palavra” que interpreta é uma clausura de sentido. De outro modo não seria uma leitura inteligível, nem mensagem., Em uma segunda instância, todavia, a referida “palavra” se abre novamente a uma outra leitura, porque, como “texto” que de alguma forma é, recobra seu valor polissêmico”.
6. Resuma, segundo Croatto, o processo hermenêutico na história do Cânon.
R. O Cânon para Croatto é um fenomeno de clausura que exclui outras leituras de uma tradição antecedente e orienta a interpretação de novas práticas e que toda a clausura do cânon é parte de um longo processo hermenêutico. O canon, portanto na concepeção de croatto é um processo de releitura. Quando o interprete reconstrói a sua mensagem, interpretando com o seu sentido a partir de sua hermenêutica, ele está reconstruindo o cânon. Ele afirma: “...O cãnon pretende inutilmente enclausurar sua própria releitura: quando se o considera como “depósito da revelação.”, considerando isto uma posição degenerada.
7. O que Croatto quer dizer por “fusão de horizontes”?
R. Croatto chama de “fusões de horizontes” quando o texto desprende para diante de um “mundo” de possibilidade em que o leitor pode sintonizar com o seu próprio “mundo”. Esta posição ele compartilha do autor H.G. Gadamer citado no livro “A Biblia e Seus Interpretes” Nicodemos, 2007, pp.219, 220): “o leitor expande o horizonte do texto ao apropriar-se dele em uma nova situação histórica”. Da fusão de horizontes vem, o entendimento. Reafirmando a sua tese principal de que o texto não tem só um sentido.
Como teólogo da libertação ele parte do pressuposto de que o leitor interprete deve fazer a leitura da bíblia a partir da base, de seu contexto sócio-político que o envolve. Ele declara que essa hermenêutica como mensagem libertadora para os oprimidos.
Croatto mesmo chega à conclusão de que tal perspectiva traz vantagens e desvantagens. A interpretação é feita a partir das esperanças e das lutas dos oprimidos. Apresenta duas desvantagens: a) A Bíblia é um livro muito extenso; nele há de tudo e nele se pode encontrar de tudo; b) A Bíblia é um livro em sua maior parte terminado e estruturado por uma classe social acomodada e distante do povo. Vantagens: a) Originou-se, na origem do seu próprio povo, em um processo de libertação. A concepção israelita de Javé, o Deus do povo hebreu, estâ indissoluvelmente ligada à experiência de libertação da escravidão no Egito.
8. O que Croatto quer dizer por intertextualidade e intratextualidade da Bíblia?
R. Conforme Croatto intertextualidade é um texto relacionado com outro, um mito compreendido por outro da mesma comunidade. Intratextualidade é tudo o que está dentro de um só grande texto, é o entendimento do texto não mais como um separado, mas sim como o todo da biblia. Croatto afirma em sue texto: “Um relato “tecido” com outro produz um novo relato, não uma soma dos dois, e o sentido estará nessa nova totalidade codificada que constitui um texto e não mais é a soma das duas unidades literárias ou de suas significações originais. A produção de sentido se modifica, e assim sucessivamente, à medida que um texto entra no outro texto, à medida que da intertextualidade passa a uma intratextualidade maior. Ou seja, através do Novo Testamento podemos fazer uma leitura do Antigo Testamento”.
9. O que Croatto quer dizer por “eixo semântico?
R. Para Croatto é o significado que o vocábulo tem. Ele afirma que o vocabulo em si não é o mais importante, mas sim o relato. A mesma palavra não tem o mesmo sentido em toda a biblia. Partindo disso há um eixo semantico a partir das quais originam a mensagem de toda a biblia. Croatto diz: “Quando falamos de “eixos semânticos” não estamos afirmando que os vocábulos[1], têm somente um sentido em toda a: Bíblia, mas sim que nesta, entendida como totalidade narrativa, há uma nova produção de sentido, onde muitos sentidos de alguns vocábulos ou idéias, que não se desprendem de seus próprios contextos literários, estruturam-se de maneira tal que produzem um efeito-de-sentido novo”.
10. Explique a expressão “a Bíblia é a nossa palavra de Deus” segundo o conceito do “processo hermenêutico” de Croatto.
R. Coatto afirma isto em sua conclusão. Como que para reafirmar as suas posições de que a interpretação biblica deve partir de meu contexto socio politico religioso e não dos textos. O interprete que determina se a Bíblia é ou não a palavra de Deus para ele. Ele afirma: “A Bíblia é nossa Palavra de Deus. É o recolhimento do sentido das ações salvíficas de Deus. Não é somente um texto para ler. É tam­bém uma palavra proclamada que reinterpreta a vida”. Em suma, Este é um processo interminável, pois segundo Croatto “A Escritura se faz Palavra, a Palavra se faz Escritura. Não se pode nunca terminar esse movimento...”.
Parte II — Qual a crítica que pode ser feita a Croatto, a partir de uma hermenêutica reformada?
R. A linha hermeneutica adotada por J. Severino Croatto, tem como base a leitura a partir das experiencias que cada ser humano tem de si ao ler as Escrituras Sagradas. A biblia deixa de ser a Palavra de Deus.. Croatto destroi totalmente a ação da iluminação do Espirito Santo de Deus na interpretação biblica. Precisamos considerar principalmente a natureza deste homem caído que interpreta a biblia segundo seu contexto. “Os reformadores, que, reconheciam as limitações impostas pela queda à capacidade humana de conhecer, professavam com a mesma boca e no mesmo fôlego a sua confiança de que, através das escrituras, pela iluminação do espirito, os crentes podiam chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus, isso é, da verdade” (Nciodemus, 2007, p. 247)
Nada há de reformado nas posiçoes de Croatto. Calvino compartilha da ídéia de que a interpretação biblica é iluminado pelo Espirito Santo. A Escritura Sagrada é intocável, conforme o ensino da confissão de Fé de Westminster “À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas” (CFW, I.6).
Faz-se necessário declarar que somente há um sentido verdadeiro e pleno para cada texto e não múltiplos sentidos, conforme declaração da confissão de fé de Westminster: “A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente” (CFW, I. 9). Croatto bem como os hermeneutas pós-modernos estão equivocados ao quererem ler a Bíblia a partir de nosso experiencialismo. Com uma hermenêutica totalmente contrária à nossa reformada fica a nossa rejeição a este princípio hermenêutico apresentado por Croatto concordando com os princípios hermenêuticos reformado
[1] Grifo meu

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